quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A ciência em Portugal



Pois é, o tio Armando esteve de férias e como tal o blogue esteve parado, mas regozijem-se ou amaldiçoem-se os parcos leitores deste espaço porque o interregno das postas de pescada que aqui publico terminou.

Suponho que a maioria de vós nestes últimos dias já se tenha deparado com a nova campanha nacional de promoção à ciência e à tecnologia, seja através dos posters outdoor espalhados um pouco por todo o país ou através da sua campanha televisiva. Pois eu vi-a muito recentemente e gostaria de partilhar aqui o que penso dela, ou pelo menos da maneira como se optou por transmitir a mensagem.

Mal regressei de férias deparei-me com um desses cartazes afixado num dos painéis publicitários do metro, precisamente aquele que está na foto que acompanha este texto. Peço que se percam uns momentos a olhar bem para este anuncio e se reflicta um pouco sobre ele. Ele mostra uma tablete de comprimidos acompanhado da frase "A ciência faz bem". Agora pergunto, serei eu o único a achar que a correlação entre a frase e a imagem é algo de aberrante? É que por norma eu associo os comprimidos a medicamentos e por sua vez estes a doenças. Claro que podem sempre advogar que os medicamentos derivam da ciência e servem para tratar os males de que sofremos, mas a realidade é que eles ao tratarem uma coisa estão a fazer mal a outra. E como se não bastasse, se analisarmos bem as coisas a grande maioria dos males da actualidade devem-se aos avanços da ciência e da tecnologia. Desde o stress a que somos sujeitos diariamente até uma boa parte das doenças que actualmente nos afligem, as suas causas têm como principais factores o estilo de vida que a nossa sociedade adoptou por estar dependente destes para sobreviver.

Dizerem-me que algo que evita males maiores,como é o caso dos medicamentos, não é no meu ponto de vista algo que necessariamente faça bem. Eu pelo menos não associo as coisas dessa forma. Pode ter a sua utilidade e acarretar benefícios, mas fazer passar a mensagem de que é a única solução para as coisas, como me parece ser o intuito desta campanha, não me parece nem algo correcto nem tão pouco inteligente.

Perceba-se que não tenciono fazer disto uma espécie qualquer de manifesto anti-ciência e anti-tecnologia, bem longe disso, mas antes que se pense um pouco na forma como se promove estes, pois é inegável que há coisas positivas a retirar daqui, não esquecendo no entanto que estes acarretam também consequências das quais é necessário que se mantenha a noção. Uma campanha como esta, de carácter nacional não pode ser promovida sem este tipo de consciência, principalmente nos dias de hoje em que os processos de alienação são mais fortes do que nunca, visto que a grande maioria das pessoas apesar de estarem cientes das problemáticas que todos estes avanços científico-tecnológicos acarretam, ou pelo menos de uma parte deles, é igualmente verdade que há cada vez mais um sentimento de impotência crescente no que diz respeito ao que cada um sente poder fazer para minimizar esses impactos. Como tal, acho que se deve esperar e exigir um pouco mais de responsabilidade e consciência na forma como se tenta passar a mensagem neste tipo de campanha publicitária.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Saber escutar

Curiosamente, na semana passada decidi introduzir neste blogue uma série de títulos de assuntos sobre os quais gostaria de escrever. O primeiro de todos era "Está alguém à escuta?". Passados 2 ou 3 dias uma amiga comentava comigo uma situação que tinha tido recentemente com um amigo seu, em que praticamente se tinham chateado porque ele sentia que a comunicação era praticamente unilateral, pois passava o tempo a ouvir as histórias dela e sentia que sempre que ia a dizer ou a contar alguma coisa que era rapidamente interrompido. Ela, a concluir a descrição da situação toda rematou com algo do género: "de facto às vezes estamos estão perdidos e centrados em nós mesmos que acabamos por nos esquecer do quão é importante também saber escutar os outros e dar-lhes a oportunidade de nos contarem também o que se passa com eles. Não é que faça isto por mal, mas às vezes estava tão eufórica e com vontade de partilhar as minhas histórias que acabava por nem o deixar contar as dele". Sorri e assenti em concordância enquanto me recordava do título para este texto. Pensei para mim mesmo que se há alturas em que o acaso nos aponta numa direcção, esta foi uma delas, e como tal decidi que este seria mesmo o próximo texto a ser escrito, embora tenha preferido alterar-lhe o título, pois cheguei à conclusão que "saber escutar" era mais apropriado para aquilo que pretendo transmitir.

O que me parece, é que cada vez mais é necessário explicar às pessoas a importância do saber escutar, porque de facto é algo que a maioria não sabe fazer. Este é um acto que necessita que cada um se saiba remeter a um "silêncio relativo" quando necessário, sendo de igual importância saber identificar em que circunstancias se o deve fazer. E a realidade é que a maior parte das pessoas não se apercebe destes factos.

Toda a gente gosta de contrapor os outros com as suas ideias e ideais, com a sua forma de estar e de encarar a realidade e de partilhar as suas vivências, mas na hora de retribuir, passando para o papel de ouvinte muitos falham. E fazem-no porque não compreendem este pressuposto de "silêncio relativo".

Quando um individuo tem um desabafo para com alguém, ou conta uma determinada situação que viveu, é importante que o receptor se inteire do seu papel, que é ser ouvinte e que para o ser, tem que deixar um pouco de lado as suas experiências e opiniões. É importante que ouça em silêncio e só vá intervindo pontualmente nos momentos que achar inteiramente necessários, caso contrário corre o risco de que o emissor perca o fio à meada ou que simplesmente se aborreça e farte, acabando por não transmitir o que gostaria. É absolutamente frustrante querer contar alguma coisa a alguém ou ter um desabafo e estar continuamente a ser interrompido por alguém que nos quer estar a dar a sua opinião sobre o que acha que temos que fazer, a tentar comparar as suas experiências com as nossas,etc. Não que ache que tal não deva acontecer, porque é importante contrapor as vivências dos outros com as nossas, mas tal só deve ser feito após a mensagem ter sido completada. É um tremendo engano julgarmos que podemos ajudar os outros ou compreender aquilo por que passaram ou viveram se não ouvirmos com atenção tudo aquilo que nos querem transmitir, pois muitas vezes o que inicialmente parece ser uma situação semelhante com algo pelo qual passamos acaba por se revelar algo completamente diferente daquilo que julgávamos ser. É errado presumir-se que sem se conhecer os antecedentes de cada um, sem perceber o que levou a determinado comportamento ou reacção, possamos dar o nosso parecer mais acertado.

Cada ser humano é como um grande livro: tem uma história, história essa que por sua vez tem capítulos e estes por sua vez têm episódios, estando todos eles interligados por um fio condutor que é o individuo. Para se compreender o que fascina e motiva, o que deprime e entristece cada um é necessário ter um pouco de conhecimento sobre a história desse. Querer tirar conclusões precipitadas quando não se conhecem os factos essenciais dos diversos episódios ou capítulos que influenciam a forma de estar e de agir de um individuo é algo que só dificulta mais o acto de compreender na sua totalidade. É como tentar compreender um enredo, conhecendo-se apenas as personagens e os desfechos das suas histórias. Saber apenas que sujeito A fez isto e aquilo a sujeito B e consequentemente sujeito C foi influenciado por isso na sua relação com sujeito D, não é o mesmo que entender quais foram as situações experiências e consequentes motivações que levaram a esses actos, tal e qual como saber que o João foi mordido por um cão, não é o mesmo que saber que este o mordeu porque antes este lhe deu um chuto. É importante que se saiba ver a grande diferença que existe aqui, pois não é com base em "resumos" e presunções que se chega a conclusões efectivas. Ter a capacidade de discernir estes factos e interiorizar que é necessário ter paciência para se perceber o porquê das coisas é a grande arma de um bom ouvinte.

Saber escutar é acima de tudo uma arte que nos permite conectar com a realidade dos outros, enriquecendo-nos a nós e libertando-os a eles. É um dom que deve ser estimado, um privilégio que tem que ser aproveitado. Doutra forma mais vale às vezes falar sozinho...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Seres normalmente normalizados

O ser normalmente normalizado é a espécie que domina a cultura ocidental, e "qui ça", o mundo. Gosta de todas as convenções tradicionais e adapta-se com razoável facilidade às circunstancias da sociedade moderna, pois considera que se trata da evolução natural das coisas. Não perde muito tempo com grandes considerações nem exaustivas reflexões sobre o que o rodeia, porque tem mais do que fazer do que estar matutar muito sobre essas coisas acerca das quais considera estarem muito para além do seu campo de intervenção.

No seu quotidiano segue as opiniões das massas e serve-se dos argumentos usados pelos meios de comunicação social ou pelos seus ícones de momento para justificar as suas posições. Utiliza recorrente os termos "noutro dia disseram-me que..." ou "ouvi dizer...", pois é mais fácil fundamentar as "suas" opiniões tendo a dos outros como antecessoras.

Tem por norma um rendimento produtivo e satisfatório para a sociedade em geral, embora seja raro superar-se no que quer que seja. Nunca, ou pelo menos quase nunca trás nada de realmente novo onde quer que esteja ou vá, mas é bom a manter as coisas na normalidade. Ou seja, não é nem nunca será um criativo, mas dá sempre um excelente técnico de manutenção.

O ser normalmente normalizado não gosta de ser confrontado com grandes choques à sua realidade, mas adora assistir a uma boa confusão. Uma boa fofoca é sempre um dos pratos favoritos, principalmente se esta se referir a alguém que conhece pessoalmente ou a uma figura pública. Uma boa rixa também costuma ser um bom exemplo de um entretenimento que este aprecia. Até é capaz de meter um bocadinho o bedelho, isto é, se a situação o permitir. A larga escala é facilmente dissuadido a participar em qualquer espécie de "Caça às Bruxas", desde que esta seja devidamente aceite na sua sociedade. Não faz grande questão em saber do que se trata ao certo nem do porquê. E isto claro está, até não deixa de ser algo normal.

Dependendo do seu género, masculino ou feminino, no amor e nas relações que vai mantendo também tem um determinado padrão de comportamento. É monogâmico sem saber muito bem porquê, mas como todos os outros o são também não vê mal nenhum nisso. No caso dos homens pode acontecer com alguma frequência acreditar que uma pequena "mijadela fora do penico" também não faz mal a ninguém. Afinal de contas é um homem, e ser assim é normal. Já ser "corno" isso é que não pode ser de forma alguma! Gosta também de se juntar com os amigos e exibir a sua virilidade no meio atirando umas "boquitas" às meninas que passam e fazendo pelo meio meia dúzia de comentários obscenos, não vá alguém duvidar da sua masculinidade. E não há problema algum com isso, também é perfeitamente normal. No caso das mulheres esta por norma tem tendência a levar mais a sério a questão da fidelidade monogâmica, embora coisa que não falta actualmente são excepções a esta regra. De qualquer forma, também acaba por entender muitas vezes com alguma naturalidade que o sexo oposto seja adultero. Afinal de contas, como já vimos é normal o homem ter tendência a cometer o adultério é consequentemente é normal a mulher ser um pouco tolerante e flexível nesta matéria. Esta na sua "natureza". Lá está, acaba por ser normal.

Ao longo da sua existência vai adoptando vários ídolos e ícones. Um ou dois mantêm-se para a vida inteira e outros vão mudando conforme a sua vida vai avançando e as suas opiniões vão oscilando. Gosta de se identificar com estes e segue quase cegamente as tendências que estes ditam. Não gosta muito de questionar o porquê dos seus "role-models" fazerem o que fazem ou dizerem o que dizem. Não sente grande necessidade de tal. E se passado uns tempos os seus actos e as suas acções ou palavras ditarem o mesmo caminho, ele e os outros encaram isso de forma natural, porque é normal que assim seja.

Outra característica do ser normalmente normalizado é o facto de este ser contra muita coisa e a favor de muitas outras, mas só toma posições firmes quando inserido no meio da multidão. Até lá é capaz de ir resmungando aqui e ali, mas nada de muito vistoso. No entanto quando se vê no meio dos "seus" defende vincadamente a sua posição de ser a favor ou contra isto. Fica também muito contente se o seu lado ganha uma qualquer contenda, pois assim sente-se parte da mudança. Chega quase a considerar-se um pioneiro das suas causas por ter "participado". Mas geralmente fica a sensação que este não entende muito bem aquilo que defende. Nada de muito anormal na realidade.

É também um óptimo crítico de política principalmente quando se trata de isso mesmo: criticar. Por norma gosta especialmente de criticar os políticos e em especial o governo. Há os que não gostam da política nem estão para se chatear com tal coisa, mas também não gostam de perder a oportunidade de lançar uma acha para a fogueira para criticar o mau funcionamento das coisas, mesmo que por norma nem tenha o hábito de votar. É a sua forma de abstenção contra todos esses ladrões corruptos, esse bando de filhos da puta que só sabem enganar o povo. Pode não saber quem são nem o que fizeram até à data, mas como "eles são todos iguais" também prefere nem saber. Depois há os que até vão interagindo porque até percebem qualquer coisa do assunto. Esses lá vão dando as suas opiniões tendo em conta os seus próprios interesses e seguem quem os diz defender nesse momento. E há ainda os que se filiam e seguem a ideologia do seu partido e dos seus políticos tão afincadamente que às vezes parecem tratarem-se de membros de uma claque de futebol. E se a qualquer um dos três fizerem uma pergunta de ordem um pouco mais complexa sobre as suas ideologias políticas nunca sabem muito bem o que dizer ou refugiam-se num qualquer cliché para escapar à pergunta. E como até é algo de normal ninguém está para se chatear muito, por isso até passa...

O ser normalmente normalizado é todo ele um adepto do entretenimento. Gosta de futebol e/ou das novelas, das séries da televisivas da moda, gosta dos concursos e tem actualmente uma especial apetência para os reality shows e os concursos que envolvem misturar pessoas com situações ridículas e estapafúrdias. Gosta também muito da internet e se ainda for relativamente jovem é adepto dos chats e das redes sociais, pois são óptimas para o engate ou só para o "flirting". Não vive igualmente sem o seu telemóvel e desenvolve rapidamente um qualquer fascínio pelas mensagens escritas, sendo capaz de tratar de qualquer assunto por sms, seja combinar um simples café com um amigo, dar uma má notícia a alguém e até já há os que conseguem manter acesas discussões só por mensagem escrita! No geral a tecnologia e todo o tipo de "gadget" despertam a sua atenção e consequente cobiça. E isto para ele, é naturalmente a evolução das coisas.

No meio disto tudo, o ser normalmente normalizado na realidade não vive, vai antes vivendo como pode ou sobrevivendo. Não faz nada em concreto, mas vai fazendo aqui e ali uma coisita qualquer. Nunca chega a ter qualquer tipo de grande importância em nada porque também nunca se apercebeu em que é que a sua presença poderia de facto ser determinante. Não marca a sua passagem em lado nenhum para a sua posterioridade, apenas deixa um leve rasto que rapidamente se evapora. E a realidade, é que esta é que parece cada vez mais ser a ordem natural das coisas da espécie dominante. Ser-se e viver-se assim é que é normal. Isto é o que cada vez mais parece que a sociedade nos quer dizer ser o nosso ideal. Assim sendo:

Anormais procuram-se!

terça-feira, 21 de julho de 2009

A naturalidade das imperfeições e o eterno fechar de olhos

Será que não está na altura do ser humano chegar à conclusão que um dos seus grandes erros está não no facto de ser imperfeito mas antes na sua falta de capacidade de ver para além das suas próprias imperfeições?
A evolução não acontece quando em vez de se assumirem as coisas se opta pelo caminho da dissimulação e da negação. Camuflar, negar a sua existência, tentar disfarçar ou esconder erros e/ou defeitos levam ao velho caminho da perpetuação do erro, sendo isto uma constante da nossa existência enquanto espécie global e enquanto seres individuais, pois ocupamos demasiado tempo a tentar fazer com que as nossas imperfeições não se notem, apesar de serem reais. E se são uma realidade o único caminho é o confronto directo, implicando primariamente a sua aceitação.
Perpetuar esta panóplia de trapalhadas que continuamente assombra a nossa espécie é o que por sua vez atrasa em demasia a evolução do ser humano. Esconde-se tudo. É as imperfeições físicas, políticas, sociais, culturais, etc... O eterno manto da ilusão adensa-se e vai-se moldando e misturando com as realidades. E assim vivemos numa espécie de limbo, sem nunca saber muito bem quem somos nem o que somos, onde estamos nem para onde vamos e encaramos isto com uma natural passividade porque "é assim a vida"... E como é que poderia não ser se somos melhores a jogar ao "esconde-esconde" do que às verdades e consequentes consequências?

terça-feira, 14 de julho de 2009

Auto da Lusitânia - Gil Vicente

A inspiração carece ultimamente, mas não a vontade de trazer algo de novo a este cantinho, como tal decidi publicar o "Auto da Lusitânia" da autoria de Gil Vicente, por ser um texto que estava no esquecimento e que hoje me foi relembrado e do qual gosto imenso.

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando(1)
por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo(2).

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição(3) nos acude(4):
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra Todo o Mundo
e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Buscas outro mor(5) bem qu'esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse.

Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado
Todo o Mundo ser louvado,
e Ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,
a morte conheço eu.

Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Belzebu: Muito garrida(6):
Todo o Mundo busca a vida
e Ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
sem mo Ninguém estorvar(7).

Ninguém: E eu ponho-me(8) a pagar
quanto devo para isso.

Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve
que Todo o Mundo quer paraíso
e Ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
E Ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o Mundo é lisonjeiro,
e Ninguém desenganado.

(1) Porfiando: insistindo, teimando
(2) E sempre nisto me fundo: e sempre me baseio neste princípio, nesta ideia
(3) Adição: acrescentamento.
(4) Acude: ocorre.
(5) Mor: maior
(6) Garrida: engraçada
(7) sem mo Ninguém estorvar: sem ninguém estorvar isto a mim.
(8) Ponho: proponho-me

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Situações revoltantes do dia-a-dia

O Homem é de facto um ser capaz das coisas mais estúpidas possíveis e imaginárias. Costumo dizer frequentemente a alguns amigos que eu não sou de cá, que devo ter vindo de Marte ou de um outro planeta qualquer, porque há coisas nas quais não me revejo mesmo e não entendo como é que tanta parvoíce junta é capaz de perdurar.

Hoje entrei no metro, por volta das 14h, e para minha surpresa este ia relativamente vazio, coisa que aquela hora costuma ser rara. Sentei-me num dos bancos e dei graças a Deus por não ir nenhum troglodita com o telemóvel aos berros com uma qualquer música azeiteira ou a falar alto e a bom som, por forma a tentar chamar a atenção dos outros. Andei umas 4 ou 5 paragens e de repente começo a ouvir a música do Noddy. "Acabou-se-me o descanso..." pensei eu para os meus botões enquanto rodava a cabeça para trás por forma a tentar perceber de onde vinha o som, e nisto vejo uma criança de 3/4 anos acompanhada da respectiva mãe e compreendi que o som vinha dali. Numa primeira instância pensei que a mãe tivesse o seu telemóvel em alta voz por forma a tentar satisfazer um qualquer capricho da criança, o que por si só seria mau o suficiente, pois estava a perturbar a paz dos outros, mas um novo olhar para situação fez-me perceber uma realidade bem pior. É que o som afinal não vinha de um telemóvel, mas sim de um desses malditos computadores para crianças a que chamaram de "Magalhães". A mãe, que estava sentada de frente para a criança segurava no computador enquanto olhava desinteressada para o exterior do metro enquanto a criança se alienava com as imagens e sons que o computador produzia.

Há certas coisas que eu sou perfeitamente capaz de compreender, como o facto de actualmente a informática ser algo fulcral na nossa sociedade e como tal haver uma necessidade de desde cedo começar a instruir as crianças com estas novas tecnologias. Até aqui tudo bem, embora possa não concordar com a forma como as coisas vão sendo implementadas, mas a coisa até se "papa". Agora, usa-las como mera forma de distracção para os miúdos, porque simplesmente não se tem paciência para os aturar, isto eu já não compreendo. Isto para mim é negligencia, é incentivar a criança a ficar ainda mais alienada e estúpida, é viciá-la em puro lixo! Uma criança desta idade não precisa de um computador para nada e devia ser resguardada ao máximo deste tipo de coisas, pois em breve chegará a altura em que vai ter que lidar com estas máquinas diariamente. Acho absolutamente execrável ver este tipo de atitudes serem tomadas de animo leve, de forma completamente despreocupada, por aqueles que na realidade deveriam estar era à procura de estímulos para as crianças, por forma a que estas cresçam com algum discernimento do que é positivo e do que não é. Se em breve começar-mos todos a pôr os miúdos a ver filmes nos computadores em vez de falarmos com eles no pouco espaço de tempo que temos com eles, senão os incentivarmos a usarem a sua imaginação ou a socializar, então em breve temos uma sociedade de robots.

Meus caros, sou da profunda convicção que hoje em dia para se ter filhos é preciso ter-se coragem, muito bom senso, e acima de tudo muita responsabilidade. Aconselho a todos aqueles que tencionam ser pais a que pensem muito bem no que isso significa nos dias de hoje, porque muito sinceramente, se é para andarem a criar mais um autómato do sistema então mais vale estarem quietinhos, pois disso já há aí às toneladas e não precisamos de mais. Se realmente querem criar e educar uma criança, pensem bem que terão que lidar com uma série de situações às quais é preciso ter convicções firmes e definidas e que só poderão ser aplicadas com inteligência e pedagogia, pois doutra forma este processo de estupidificação irá continuar e daqui a uns anos viveremos com ecrãs pendurados nas nossas cabeças num planeta cheio de seres amorfos, sem vida nem opiniões próprias.

terça-feira, 23 de junho de 2009

The loop goes on

Stumbling all the way again
Evolving on this drunken darkness
Crawl away in the night
But be aware

We'll be back in a heartbeat
In a heartbeat

The breath seems powerless
Heading towards into to the void
With an old particular feeling
"I've been here before"

But maybe...

We'll be back once our heart beats
Once our heart beats again

Rise to fall
To rise and fall again
Questioning the battles being fought
Can't even remember we are
We're fading flames
On a desert storm
Pointlessly trying to prevail
Knowing we'll soon be blown away

We'll be back in a heartbeat
Just like that, with a beating
As soon as our heart beats
If it ever beats again

domingo, 14 de junho de 2009

A nossa triste TV...


O lixo que nos é trazido até casa diariamente através da caixinha mágica é impressionante. Às vezes não compreendo se a programação é feita para nós ou para deficientes mentais. É que se não é às vezes parece...

Ele é novelas, é concursos, é passatempos... Um verdadeiro mar de programas capazes de provocar uma autentica diarreia cerebral, mas que ao mesmo tempo se conseguem manter na grelha dos seus respectivos canais devido às suas audiências. O seu objectivo é pura e simplesmente estupidificar as pessoas, o qual muitas permitem com um à-vontade perturbador. E o que mais me choca é que muitos às vezes não se adequam à nossa realidade, mas não obstante desse facto estes continuam no ar.

Portugal é um país pequeno, que revela uma notória falta de ambição para evoluir e a nossa televisão é um reflexo disto mesmo. Somos um povo de consumistas pouco exigente e fácil de satisfazer e a programação dos nossos canais é a triste prova deste deste facto, pois são completamente incapazes de nos oferecer algo adequado à nossa realidade. Quase todos os programas que integram a nossa grelha televisiva são importados de outros países que pouco ou nada têm a ver com a nossa cultura. O último exemplo disto chama-se "Salve-se Quem Puder!".
Tive a oportunidade de recentemente ver na Sic Radical um excerto do programa original, oriundo do Japão, onde a ideia era pôr os concorrentes a realizar tarefas idiotas e superar provas estúpidas. Resumindo, o objectivo é criar situações ridículas para os concorrentes as tentarem superar. No universo japonês isto até se enquadra, pois a sua cultura televisiva insere-se muito neste tipo de entretenimento, mas no nosso, é na minha opinião completamente descabido, pois o nosso quotidiano em nada se assemelha ao deles e consequente as nossas necessidades são diferentes das destes.

A televisão de um país deveria reflectir um pouco dos costumes culturais desse povo e o que transparece da nossa é a imagem de um povo incapaz de produzir o seu próprio entretenimento e que se limita a reproduzir e traduzir para a sua língua os programas desenvolvidos pelos outros e para os outros. Não digo que às vezes não possa haver um ou outro que até se encaixem bem no nosso panorama, mas se a este nível simplesmente não produzimos nada isto acaba por se tornar um grave atestado de estupidez que estamos a passar a nós próprios. Não nos faria mal nenhum ter um pouco de dignidade e amor próprio e começar a exigir que se nos vão expor a merda, ao menos que nos exponham à que é feita cá e não à dos outros. Não deixar perpetuar este tipo de situações é algo que também é responsabilidade do público em geral, pois o não compactuar com tal é uma forma de acção que também nos compete a nós enquanto cidadãos e indivíduos inteligentes. Aceitar esta situação de forma indiferente apenas irá continuar a provar a nossa insignificância e falta de brio próprio.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eleições Europeias

Terminadas as eleições europeias, devo dizer que há algumas questões que convém reflectir um pouco, para que nos preparemos para aquilo que nos espera. O cenário é de facto algo de caricato.

Comecemos pelo caso de Portugal, onde merecidamente o PS levou um correctivo, devido à sistemática falta de politicas sociais para satisfazer as necessidades do cidadão comum nos dias de hoje. Esperava-se algo menos significativo, mas a derrota não terá surpreendido muitos.

Há que referir a ascensão do Bloco de Esquerda para o plano de 3ª força política nacional, o que não pode ser dissociado da continua queda do PCP, embora menos acentuado do que aquilo que inicialmente se previa. No entanto, se considerarmos o elevado numero da abstenção registado neste acto eleitoral, as perspectivas para as legislativas são de um provável reforço desta posição por parte do BE, visto que o PCP ainda mantém uma quase que ferrenha massa de militantes, que costuma movimentar-se em peso em época de eleições, mas no entanto é um partido cuja a capacidade de atrair novos apoiantes, é nos dias que correm quase nula. Isto significa que a sua margem de progressão para as legislativas é quase inexistente, ao contrário do BE que com o passar do tempo tem ganho cada vez mais simpatizantes, devido à constante adequação das suas políticas face às questões da actualidade. O resultado acabou por ser bom para ambos, pois o BE quase que triplicou o numero de votos em relação ao acto anterior, enquanto que o PCP ao contrário do que previam as sondagens conseguiu manter a sua votação.

O CDS-PP, um pouco à imagem do PCP, acabou por se congratular com os resultados obtidos, visto que muitas sondagens também davam uma intenção de voto extremamente baixa ao partido e este acabou por subir ligeiramente a níveis percentuais. Ou seja, tal como os comunistas, este escapou de forma um pouco surpreendente à sua anunciada "morte política", o que não significa que nas legislativas tal não se venha a verificar. É esperar para ver.

O PSD, por seu turno, acabou por ter uma vitória mais folgada do que aquilo que inicialmente era esperado, no entanto longe de ser convincente. A sua vitória deve-se mais à falta de mérito do adversário do que outra coisa qualquer e o que acredito que as próximas legislativas irão mostrar isso mesmo. O PSD irá perder novamente terreno para o PS por ser uma alternativa medíocre. É que passar de um Sócrates para Manuela Ferreira Leite é quase como passar de burro para jumento. O primeiro é mau, mas a alternativa é francamente pior!

No final, o que se pôde verificar, foi que apesar da esquerda em conjunto ter tido mais votos, foi um partido de direita que venceu as eleições, mas fê-lo mais como forma de protesto do povo português contra o actual rumo das políticas do PS, do que por agrado em relação às alternativas apresentadas por si. E como no fundo o português comum está-se a lixar um bocado para aquilo que acontece no Parlamento Europeu, nada melhor do que demonstrar a sua insatisfação neste acto eleitoral. Mas parece-me que quando chegar à altura das eleições internas teremos que nos resignar a "mais do mesmo" por não haver uma opção viável e satisfatória.

Relativamente ao panorama dos outros países constituintes da União Europeia há uma coisa que importa reter acima de tudo o resto, que é o facto da direita ter voltado a ganhar força. E isto, embora não pareça é um caso estranho. Passo então a explicar:

Atravessamos neste momento uma crise económica a nível mundial que todos já conhecemos e isto deve-se em muito às políticas de liberalização de mercado defendidas maioritariamente pelos partidos de centro-direita e direita. Esta liberalização peca essencialmente pela falta de regulamentação e acaba por privilegiar as grandes empresas que com facilidade atraem clientes com preços extremamente baixos, aniquilando a concorrência e estando depois à vontade para praticar os preços que bem lhes apetece. Ou seja, estes acabam por moldar o mercado à sua imagem e depois controlam-no como bem entendem, pois o "peixe-miúdo" nada pode fazer face ao poderio económico de uma multinacional de sucesso. A isto temos que juntar o escândalo do caso Madoff, a gestão duvidosa de capitais por parte de certas entidades bancárias, como em Portugal foi o caso do BPN, e a falta de regulamentação e fiscalização verificados na banca Norte-Americana relativamente aos empréstimos no crédito habitação ao cidadão comum. E como actualmente a economia acaba por estar toda ligada, principalmente no que diz respeito aos Estados Unidos, estes quando abanam fazem tremer os outros.

O curioso acaba por ser o facto de que neste momento assistimos a um ligeiro virar à esquerda na política dos EUA com a eleição de Barack Obama, na esperança de que a política deste de melhorar as relações externas com a Europa e o resto do mundo, de dedicar mais tempo do mandato à resolução dos diversos problemas sociais e de regulamentar melhor o mercado e as diversas leis da concorrencia, apresentem resultados positivos, a realidade é que na Europa quem ganhou força foi o centro-direita. Isto tem algum significado, pois apesar dos EUA continuarem a ser o grande palco de tendencias da actualidade, esta linha acabou por não se repercutir na política. Mais, em França e na Alemanha, os partidos de Sarkozy e Merkel respectivamente, reforçaram as suas posições de lideres nestas eleições, partidos esses que em Portugal se assemelham um pouco ao nosso CDS-PP. No fundo quase que se pode dizer que quem defendia este tipo de políticas, independentemente se na altura dos primeiros sinais da crise estava no poder ou não, acaba por sair premiado nestas eleições europeias.

Agora veremos quais são os frutos que estas sementes que semeamos nos irão dar a colher nos próximos anos.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Hall of Fame da Decadência - Élvio Santiago


Explicar o "fenómeno" Élvio Santiago é um assunto que requer algum tempo, pois é algo que consegue ser tão ridículo que se não for por partes, corria o risco de me perder em divagações e em vez de um texto teríamos um mini-livro.

Primeiro há que analisar bem as várias peças do puzzle que compõe este jovem astro em ascensão da dita "música ligeira portuguesa". Convém também referir que aquilo a que eu chamo música não é propriamente aquela coisa que este jovem faz. Mas isso são pormenores com os quais não nos iremos debater agora.

Élvio Santiago é um jovem de 19 anos, igual a muitos outros desta "geração Hi5 / Morangos com Açúcar". Até diria mais, Élvio é um exemplar "Alpha" desta nova geração de híbridos que se vestem à chulo e usam penteados de mulher típicos dos vídeo-clips de bandas de hard-rock nos anos 80.

O seu percurso desde cedo se delineou nesta área do espectáculo tal como seu website - http://elviosantiago.net/ - faz questão de mencionar, ao relatar que este aos 4 anos de idade já "brincava aos artistas, cantando e dançando em frente ao espelho". Diz-nos ainda, que com o passar do tempo o gosto dele por esta área "não esmoreceu", fazendo com que este "quisesse aprender mais e mais", levando-o desta forma a frequentar escolas de canto e dança. Não aprendeu grande coisa, diga-se a verdade, pois actualmente parece uma menina desengonçada a dançar e quanto ao cantar é melhor nem fazer grandes comentários... Mas pelo menos ficamos descansados por saber que o rapaz tentou!

O seu primeiro álbum intitula-se de "Alta Tensão" e este adequa-se que nem uma luva à temática nele explorada, visto haver já inúmeros casos de pessoas que após terem iniciado a escuta do mesmo apresentaram sintomas como profundas dores nos ouvidos, havendo mesmo quem tenha sugerido que eram equivalentes a descargas eléctricas de pelo menos 5000 volts, enquanto outros sentiram que o cérebro se lhes derretia à medida que iam avançando na escuta deste. Há mesmo rumores que os Serviços Secretos americanos planeavam usar o álbum como método de tortura na prisão de Guantanamo. No entanto a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos EUA e a política deste em abolir tais práticas e em fechar a famosa prisão terão acabado por levar este plano de volta à gaveta. Eu concordo plenamente com isto, pois sou uma pessoa completamente contra qualquer tipo de torturas, ainda para mais tratando-se de uma tão vil e cruel como esta seria. Chega quase a soar a algo imaginado pelo governo chinês!

Um pouco mais a sério, gostaria de vos mostrar os títulos das faixas que compõe este álbum, para que aqueles que ainda não conhecem este fenómeno possam ter uma pequena ideia daquilo com que estamos a lidar:

1- Alta Tensão
2- Amor De Romaria
3- Vou-te Excluir Do Meu Orkut
4- Élvio (meu nome na tua boca)
5- Quero Ser o Teu Herói
6- Tu És Minha Fera
7- Eu Estarei Pensando Em Ti
8- Coração Clandestino
9- Anjo Diabólico
10- Por Amor
11- Eu Sou Latino
12- Vou Pedir a Tua Mão

Posto isto, penso que concordarão comigo quando digo que há aqui algumas "pérolas" que não podem passar sem ser mencionadas. Haverá certamente gostos para tudo, no entanto, os títulos "Élvio (meu nome em tua boca)", "Tu És Minha Fera", e "Eu Sou Latino" são dos que mais me agradam. Principalmente este último, pois aqui percebemos algo que nos poderia perfeitamente ter escapado. É que, olhando bem para o Élvio, com aquele penteado ele mais parece uma mistura de Bonnie Tyler com José Castelo Branco, então convém que se saiba que ele na realidade é latino, por forma a evitar qualquer tipo de confusões.

Mas a cereja no topo deste fascinante bolo é mesmo a 3ª música, o momento "emo" do álbum, que dá pelo nome de "Vou-te Excluir Do Meu Orkut". Ao que consegui apurar este foi o primeiro single de Alta Tensão, valendo-lhe uma aparição no programa Você na TV da TVI (porque como é óbvio nenhum outro canal nem programa seriam os mais indicados para a iniciação televisiva de Élvio) para interpretar o tema, em formato playback (não fosse a nossa jovem estrela danificar uma das suas cordas vocais), como poderão comprovar mais abaixo. Seguiram-se posteriormente várias outras participações em programas televisivos, que podem mais facilmente ser encontradas na sua página de Hi5: http://elvio-santiago.hi5.com
Originalmente este tema é de um compositor brasileiro (quem diria...), chamado Ewerton Assunção, pois ao que se sabe, na altura da gravação de Alta Tensão, o QI de Élvio não lhe permitiria ainda escrever as suas próprias parvoíces, e o resultado é o que se pode ver e ouvir aqui em baixo. Coloco juntamente um link para que possam visualizar a respectiva letra:
http://vagalume.uol.com.br/elvio-santiago/vou-te-excluir-do-meu-orkut.html



Gostaria de dar especial destaque ao refrão de tão único que é! A utilização do termo "deletar-te" e o enfase dado em ÉMÊ ÉSSÊ ÉNÊ (vulgo MSN), poderiam ser apelidados de verdadeiros momentos de inspiração, caso tudo isto fosse uma bela de uma comédia. Mas a realidade é que não é...
Para quem não sabe o que o "Orkut" é, deixem que vos informe que este é nada mais nada menos do que um destes sites de redes sociais que agora estão muito em voga, sendo este, mais especificamente, um equivalente ao Hi5, site que em Portugal é bem mais popular. Ou seja, nada mais nada menos que um site de engate, onde é frequente ver gente a exibir mais de 100 fotos suas nas mais diversas situações, incluindo as mais ridículas e aberrantes, mas onde por norma se destacam as fotos com poses "pró estilo" e obviamente as fotos sexys na praia. Um verdadeiro mar de libido para os adolescentes!

Adiante porque ainda há mais!

Se tiverem olhado atentamente para imagem que seleccionei deverão em ter reparado que o título que acompanha é nada mais, nada menos do que "Vou-te Bloquear No Meu Hi5"! Como diria o nosso velho conhecido Fernando Pessa "E esta hein"?
Ah pois é, Élvio teve a brilhante ideia de "reinventar" o hit de que falávamos anteriormente e adequa-lo melhor ao panorama português (provavelmente alguém lá percebeu que utilização de termos como "deletar-te" não se inserem assim tão bem no panorama da língua portuguesa), utilizando desta forma algo mais ligado à nossa sociedade. O instrumental da música foi também adaptado a este novo tema, tendo sofrido uma alteração tão grande quanto a letra e a temática desta, o que é o mesmo que dizer que na verdade não mudou quase nada. Se quiserem fazer a comparação é só pesquisarem no youtube e poderão comprovar aquilo que digo

Antes de terminar gostaria de deixar aqui uns pequenos conselhos ao Élvio, a ver se a coisa melhora para os lados dele. Aqui vão eles:
Élvio, eu sei que só tens 19 anos, mas começa a ficar na altura de parares de te comportar como um miúdo de 13/14. Eu compreendo que queiras conhecer raparigas, é normal, principalmente na tua idade, mas era bom que o parasses de o fazer via internet. Por aquilo que cantas e desencantas já todos percebemos que não resulta, e como tal, tentares no futuro uma nova abordagem é capaz de ser algo que beneficie a tua pessoa.
Também gostaria de te dizer que essa táctica de andar constantemente a mudar de número de telemovel, de e-mail e endereço de MSN sempre que te chateias com uma miúda, não me soa a uma atitude muito madura. Para além do mais, já viste bem o trabalho e o tempo que vais estar a gastar continuamente a avisares todos os teus amigos, familiares e conhecidos dos teus novos contactos sempre que tal acontecer? É que parece-me mesmo uma trabalheira desnecessária...
E para finalizar, acima de tudo o resto, peço-te por favor que faças qualquer coisa em relação a esse penteado e a essa maneira de dançares e cantares, porque enquanto isso continuar assim acho que vais continuar a ver as raparigas com quem andas a irem sair com os ex-namorados.