quinta-feira, 4 de junho de 2009

Hall of Fame da Decadência - Élvio Santiago


Explicar o "fenómeno" Élvio Santiago é um assunto que requer algum tempo, pois é algo que consegue ser tão ridículo que se não for por partes, corria o risco de me perder em divagações e em vez de um texto teríamos um mini-livro.

Primeiro há que analisar bem as várias peças do puzzle que compõe este jovem astro em ascensão da dita "música ligeira portuguesa". Convém também referir que aquilo a que eu chamo música não é propriamente aquela coisa que este jovem faz. Mas isso são pormenores com os quais não nos iremos debater agora.

Élvio Santiago é um jovem de 19 anos, igual a muitos outros desta "geração Hi5 / Morangos com Açúcar". Até diria mais, Élvio é um exemplar "Alpha" desta nova geração de híbridos que se vestem à chulo e usam penteados de mulher típicos dos vídeo-clips de bandas de hard-rock nos anos 80.

O seu percurso desde cedo se delineou nesta área do espectáculo tal como seu website - http://elviosantiago.net/ - faz questão de mencionar, ao relatar que este aos 4 anos de idade já "brincava aos artistas, cantando e dançando em frente ao espelho". Diz-nos ainda, que com o passar do tempo o gosto dele por esta área "não esmoreceu", fazendo com que este "quisesse aprender mais e mais", levando-o desta forma a frequentar escolas de canto e dança. Não aprendeu grande coisa, diga-se a verdade, pois actualmente parece uma menina desengonçada a dançar e quanto ao cantar é melhor nem fazer grandes comentários... Mas pelo menos ficamos descansados por saber que o rapaz tentou!

O seu primeiro álbum intitula-se de "Alta Tensão" e este adequa-se que nem uma luva à temática nele explorada, visto haver já inúmeros casos de pessoas que após terem iniciado a escuta do mesmo apresentaram sintomas como profundas dores nos ouvidos, havendo mesmo quem tenha sugerido que eram equivalentes a descargas eléctricas de pelo menos 5000 volts, enquanto outros sentiram que o cérebro se lhes derretia à medida que iam avançando na escuta deste. Há mesmo rumores que os Serviços Secretos americanos planeavam usar o álbum como método de tortura na prisão de Guantanamo. No entanto a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos EUA e a política deste em abolir tais práticas e em fechar a famosa prisão terão acabado por levar este plano de volta à gaveta. Eu concordo plenamente com isto, pois sou uma pessoa completamente contra qualquer tipo de torturas, ainda para mais tratando-se de uma tão vil e cruel como esta seria. Chega quase a soar a algo imaginado pelo governo chinês!

Um pouco mais a sério, gostaria de vos mostrar os títulos das faixas que compõe este álbum, para que aqueles que ainda não conhecem este fenómeno possam ter uma pequena ideia daquilo com que estamos a lidar:

1- Alta Tensão
2- Amor De Romaria
3- Vou-te Excluir Do Meu Orkut
4- Élvio (meu nome na tua boca)
5- Quero Ser o Teu Herói
6- Tu És Minha Fera
7- Eu Estarei Pensando Em Ti
8- Coração Clandestino
9- Anjo Diabólico
10- Por Amor
11- Eu Sou Latino
12- Vou Pedir a Tua Mão

Posto isto, penso que concordarão comigo quando digo que há aqui algumas "pérolas" que não podem passar sem ser mencionadas. Haverá certamente gostos para tudo, no entanto, os títulos "Élvio (meu nome em tua boca)", "Tu És Minha Fera", e "Eu Sou Latino" são dos que mais me agradam. Principalmente este último, pois aqui percebemos algo que nos poderia perfeitamente ter escapado. É que, olhando bem para o Élvio, com aquele penteado ele mais parece uma mistura de Bonnie Tyler com José Castelo Branco, então convém que se saiba que ele na realidade é latino, por forma a evitar qualquer tipo de confusões.

Mas a cereja no topo deste fascinante bolo é mesmo a 3ª música, o momento "emo" do álbum, que dá pelo nome de "Vou-te Excluir Do Meu Orkut". Ao que consegui apurar este foi o primeiro single de Alta Tensão, valendo-lhe uma aparição no programa Você na TV da TVI (porque como é óbvio nenhum outro canal nem programa seriam os mais indicados para a iniciação televisiva de Élvio) para interpretar o tema, em formato playback (não fosse a nossa jovem estrela danificar uma das suas cordas vocais), como poderão comprovar mais abaixo. Seguiram-se posteriormente várias outras participações em programas televisivos, que podem mais facilmente ser encontradas na sua página de Hi5: http://elvio-santiago.hi5.com
Originalmente este tema é de um compositor brasileiro (quem diria...), chamado Ewerton Assunção, pois ao que se sabe, na altura da gravação de Alta Tensão, o QI de Élvio não lhe permitiria ainda escrever as suas próprias parvoíces, e o resultado é o que se pode ver e ouvir aqui em baixo. Coloco juntamente um link para que possam visualizar a respectiva letra:
http://vagalume.uol.com.br/elvio-santiago/vou-te-excluir-do-meu-orkut.html



Gostaria de dar especial destaque ao refrão de tão único que é! A utilização do termo "deletar-te" e o enfase dado em ÉMÊ ÉSSÊ ÉNÊ (vulgo MSN), poderiam ser apelidados de verdadeiros momentos de inspiração, caso tudo isto fosse uma bela de uma comédia. Mas a realidade é que não é...
Para quem não sabe o que o "Orkut" é, deixem que vos informe que este é nada mais nada menos do que um destes sites de redes sociais que agora estão muito em voga, sendo este, mais especificamente, um equivalente ao Hi5, site que em Portugal é bem mais popular. Ou seja, nada mais nada menos que um site de engate, onde é frequente ver gente a exibir mais de 100 fotos suas nas mais diversas situações, incluindo as mais ridículas e aberrantes, mas onde por norma se destacam as fotos com poses "pró estilo" e obviamente as fotos sexys na praia. Um verdadeiro mar de libido para os adolescentes!

Adiante porque ainda há mais!

Se tiverem olhado atentamente para imagem que seleccionei deverão em ter reparado que o título que acompanha é nada mais, nada menos do que "Vou-te Bloquear No Meu Hi5"! Como diria o nosso velho conhecido Fernando Pessa "E esta hein"?
Ah pois é, Élvio teve a brilhante ideia de "reinventar" o hit de que falávamos anteriormente e adequa-lo melhor ao panorama português (provavelmente alguém lá percebeu que utilização de termos como "deletar-te" não se inserem assim tão bem no panorama da língua portuguesa), utilizando desta forma algo mais ligado à nossa sociedade. O instrumental da música foi também adaptado a este novo tema, tendo sofrido uma alteração tão grande quanto a letra e a temática desta, o que é o mesmo que dizer que na verdade não mudou quase nada. Se quiserem fazer a comparação é só pesquisarem no youtube e poderão comprovar aquilo que digo

Antes de terminar gostaria de deixar aqui uns pequenos conselhos ao Élvio, a ver se a coisa melhora para os lados dele. Aqui vão eles:
Élvio, eu sei que só tens 19 anos, mas começa a ficar na altura de parares de te comportar como um miúdo de 13/14. Eu compreendo que queiras conhecer raparigas, é normal, principalmente na tua idade, mas era bom que o parasses de o fazer via internet. Por aquilo que cantas e desencantas já todos percebemos que não resulta, e como tal, tentares no futuro uma nova abordagem é capaz de ser algo que beneficie a tua pessoa.
Também gostaria de te dizer que essa táctica de andar constantemente a mudar de número de telemovel, de e-mail e endereço de MSN sempre que te chateias com uma miúda, não me soa a uma atitude muito madura. Para além do mais, já viste bem o trabalho e o tempo que vais estar a gastar continuamente a avisares todos os teus amigos, familiares e conhecidos dos teus novos contactos sempre que tal acontecer? É que parece-me mesmo uma trabalheira desnecessária...
E para finalizar, acima de tudo o resto, peço-te por favor que faças qualquer coisa em relação a esse penteado e a essa maneira de dançares e cantares, porque enquanto isso continuar assim acho que vais continuar a ver as raparigas com quem andas a irem sair com os ex-namorados.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Manuela Moura Guedes: Satanás à solta


Há coisas que ninguém compreende. Inexplicáveis detalhes e incompreensíveis pormenores, situações que por mais que se ponha o "fusível" a funcionar hão-de continuar a permanecer verdadeiros mistérios para a humanidade.
Como tal, faz parte da nossa vida conseguir superar e/ou contornar essas coisas que continuamente trazem um pouco de surrealismo ao nosso dia-a-dia. Algumas pelo seu carácter peculiar até acabamos por as encarar de animo leve, pois acabam por trazer continuamente uma espécie de factor surpresa aos nossos dias. Outras nem por isso, e acabam por ser um fardo que temos que ir carregando ao longo da nossa vida, porque por mais que queiramos não há forma de fugirmos delas. Mas suportam-se. O pior é quando nos deparamos com aquelas situações tão gritantes que não as conseguimos conter dentro de nós mesmos e temos que arranjar alguma forma de as expelir cá para fora , antes que elas nos sufoquem.

Sendo uma personalidade pública bastante conhecida dos portugueses em geral, Manuela Moura Guedes é um ser que continuamente tende em voltar à vida, depois de já ter sido dada como morta e enterrada, mas insiste em reaparecer para nos infernizar um pouco mais.

Ela é parcial, manipula a informação conforme bem entende, consegue ser dona de um cinismo apenas quantificável em doses industriais, tem uma arrogância sem qualquer tipo de limites e possui um espírito provocador, que de positivo nada tem. Quando Manuela começa a engrenar na sua máquina destrutiva nada nem ninguém está a salvo das barbaridades que atira indiscriminadamente na direcção que pretende atingir. E se pelo meio tiver que ferir susceptibilidades melhor ainda. Consigo perfeitamente imaginá-la nos tempos dos gangsters, vestida de gabardina, com o chapéu da época na cabeça e um charuto na boca, mas ao invés de uma metralhadora nos braços, esta ostentaria um megafone para o horror de muitos. E acreditem que é uma visão extremamente aterrorizante.

No entanto eu recentemente cheguei à conclusão de que há uma resposta muito simples para o facto de não nos conseguirmos livrar de Manuela Moura Guedes: é que na realidade ela é o diabo em pessoa. Sim, é mesmo verdade, Satanás veio à terra e decidiu encarnar num corpo de mulher, que na realidade mais parece um hermafrodita. E se ela não for o verdadeiro Príncipe das Trevas, não me restam dúvidas de que ela é pelo menos o seu emissário oficial para o nosso pequeno Portugal. E que emissário, deixem que vos diga....

Vê-la no Jornal Nacional da TVI às 6ªf à noite é um martírio que felizmente tenho tido sorte de conseguir evitar a todo o custo, no entanto, às vezes os infortúnios acontecem e ocasionalmente acabo por me deparar com este "anti-cristo" na TV.

Muito recentemente a Manuela teve um dos seus habituais incidentes televisivos com Marinho Pinto, o Bastonário da Ordem dos Advogados, conduzindo a entrevista como bem lhe apeteceu, fazendo todo o tipo de acusações e insinuações, sempre com um tom cínico e altivo, capaz de irritar até o mais paciente dos anjos, como aliás é a sua conhecida imagem de marca. Este lá acabou por perder a paciência e disse-lhe meia dúzia de verdades, questionando a ética desta, ou melhor, a falta dela e apontando as suas recorrentes violações do código deontológico dos jornalistas. Como resposta às acusações, Manuela alegou que estas não a incomodavam, pois eram apenas a opinião deste. E de facto, não tinha qualquer motivo para se sentir incomodada, visto Marinho Pinto estar a dizer a pura das verdades e no universo onde habita Manuela isto são qualidades e não defeitos.

Os próprios membros do governo decidiram cancelar uma série de entrevistas à TVI que seriam conduzidas por ela, justificando-se com "indisponibilidade nas agendas". Pode ser que outros lhe comecem a seguir o exemplo e consigam acabar com este flagelo que repetidamente atormenta os lares de Portugal através das televisões.

Mas há mais! Ai há, há! É que o melhor tem que ficar sempre para o fim! Ou o pior, tanto faz. É que este nosso pequeno diabrete é capaz dos feitos mais insólitos.
Há uns tempos atrás, 2 ou 3 meses, não sei especificar bem quando terá sido, presenciei um outro episódio protagonizado por ela, também em directo do Jornal Nacional da TVI. Este foi aquele que me convenceu que Manuela Moura Guedes é de facto uma encarnação de Satanás. Maquiavélica como sempre, Manuela decidiu convidar o inimigo: um membro do clero português (não me recordo se era padre, bispo, cardeal ou outra coisa qualquer). Quando comecei a assistir a este deprimente espectáculo ele já deveria ir a meio. Lembro-me de ficar atónito com a falta de bom senso que ela ia demonstrando ter na condução da sua entrevista, interrompendo o convidado por tudo e por nada, falando mais alto que o convidado quando este não se calava imediatamente após mais uma das suas interrupções e por aí adiante. A certa altura, penso que inserido no contexto da actual situação nacional e mundial de crise económica, a apresentadora perguntou ao seu convidado qual era a mensagem que a igreja poderia deixar aos portugueses numa época como esta, ao qual este respondeu com alguma naturalidade que a única mensagem que poderiam deixar era uma de fé, esperança e muita coragem, pois só assim se conseguem ultrapassar as dificuldades. Não terão sido exactamente estas as suas palavras, mas o que importa é a essência delas, e o que pretendiam demonstrar era isto que descrevi.
Para minha estupefacção a reacção da Manuela foi esta: riu-se. Mas quando digo que se riu, não foi um simples riso momentâneo, mas antes uma espécie de gargalhada diabólica e desenfreada que deve ter durado uns 20 a 30 segundos. Confesso que naquele momento fiquei absolutamente parvo para a minha vida. Já se viu muita estupidez na televisão, mas este foi um daqueles momentos que roçou o absurdo, tamanha foi a falta de respeito, sensatez e sei lá mais o quê. O padre, ou lá o que era, ficou também sem saber muito bem como reagir perante tal situação.
Por momentos imaginei que iria sacar de uma qualquer espécie de punhal em forma de cruz para o cravar no coração do demónio que estava ali sentado à sua frente, mas tal não se sucedeu. Imagino que o pavor de enfrentar tamanho monstro tenha levado a melhor sobre este e de certa forma não o pude censurar. Até eu a partir daquele momento fiquei com medo de um dia ter que estar frente a frente com um ser daquela natureza. Penso que o padre se deve ter apercebido que se algo corresse mal na sua incursão rumo ao coração da besta, esta poderia ter um acesso de loucura e revelar em pleno Jornal Nacional a sua verdadeira identidade, e num piscar de olhos criar ali à sua volta algo digno de deixar o mais terrível cenário Dantesco a parecer um agradável recreio para crianças, lançando ainda gargalhadas mais horrendas, enquanto o fogo dos infernos invadia os estúdios de gravação do Jornal Nacional e as criaturas mais demoníacas apareciam de todo o lado, para submeter aquele pobre coitado às mais brutais torturas de que há memória.
Lentamente, ela lá se voltou a ir recompondo, com toda a calma do mundo, visto as palavras do padre serem a maior comédia do mundo. Se este tivesse dito algo do género "fujam pelas vossas vidas, é o caos e a anarquia, o mundo está perdido e em breve todos arderemos no inferno e sofreremos para toda a eternidade", aí sim, esta provavelmente ter-lhe-ia dado os parabéns pelas sábias palavras e dar-lhe-ia todas as felicitações de pompa a que tal momento teria direito na sua deturpada visão da realidade, mas esse não foi o caso.
Quando a sua gargalhada parou, esta lá se desculpou por se estar a rir, alegando que de facto era preciso ser-se um crente para achar que só com fé e coragem é que se ultrapassaria esta situação (tipo... duh... se um homem do clero não é por natureza um crente então não sei bem o que será...).
Talvez da próxima vez seja conveniente alguém especificar ao nosso diabinho, que se pretende obter respostas mais concretas acerca destas matérias, talvez seja uma boa ideia convidar alguém ligado ao campo da economia. Algo me diz que esses poderão ter algo mais a acrescentar.

Mas melhor ainda, era tirá-la de vez da televisão portuguesa. Isso sim, era uma bênção!

domingo, 24 de maio de 2009

The path of the survival

Unexpectedly you caught my attention
Heartedly and passionate I stare
To a welcoming smile
To a slightly inviting look
It's weird but pleasing
Heaven almost seems reachable
And for a second there
I believed it actually was

It was a quick connection
Unexpected and unpredicted
As everything should be
Even the colours seemed bright
And for a while I felt special
As I regarded you to be

But quickly and suddenly
Just a like a hitting lightning strike
From such dream I wake
Guess I wasn't expecting such reality check

I regarded you as a rising star
But your descending path tells otherwise
Your fading light, your smoke curtain
Won't let you shine much
Better run away from you
Before you become a storm

Everything's a chaotic blur
Focus ain't a motion here
Everytime you're around
Caresses mean aggression
It's like a boiling cauldron
An erupting volcano
Flaming, exploding, destroying
Such is your uninteresting self-distraction

But maybe...
Uhmmm...

Hope one day light might be your way
And your misery can be overrun
Your hatred can be defeated
Such violence can be soothed
And the beast finally tamed
So that love can be conquered
It's only an option
Although it should be the mission

So now I'm back on track
Might be hard and sometimes frustrating
It may carry a loneliness feeling
And things may nearly be falling apart
But there's a constant glimmer of hope
That the warming light is getting closer

Deep inside there's a feeling
A wish, a desire, a belief
That this wandering awake dreamer
Will someday open his eyes
And smiling come to realize
That his desired vision is there for him to stare

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Introdução

Numa realidade cada vez mais individualista e solitária, as necessidades de escape são cada vez maiores e mais recorrentes. A comunicação com o passar dos tempos torna-se mais estranha devido à ascendente falta de conteúdos. Passam-se as horas, os dias, os meses, os anos e a preocupação principal é arranjar mais entretenimento e mais distracções. No fundo, quer-se "ir passando o tempo conforme é possível". Mas uma vida inteira a "ir passando o tempo" faz com que na realidade seja este quem passa por nós. E ele, ao contrário de nós, uma vez passando não pode voltar atrás.

Um pequeno passo por dia, faz com que a longo prazo se percorra uma longa caminhada, mas esta para ser percorrida, necessita que haja vontade. E se o primeiro passo é pequeno, o segundo provavelmente será um bocadinho maior e assim progressivamente. Talvez ao fim de uns tempos, em vez de pequenos ou largos passos já se percorram trechos do caminho, pois, afinal de contas, todo o exercício custa no início, mas a prática regular vai lentamente tornando tudo mais fácil e eventualmente vai-se-lhe ganhando o gosto.

Convém também entender que certas caminhadas levam o individuo a encontrar obstáculos, ou forçam-no a desvios imprevistos. No fundo, coisas que preferíamos que não existissem, mas que não obstante da nossa vontade teimam em aparecer. Mas é neste contexto que se vê a força e determinação de cada qual. Porque nem sempre a artéria principal é aquela que nos leva ao desejado destino, há que muitas vezes encontrar atalhos que sirvam o nosso propósito. E se dessa artéria, que achamos ser a principal, muitas outras se cruzam, deixando-nos sem saber qual é a que nos leva onde pretendemos, há que ir experimentando as várias possibilidades até reconhecermos o nosso caminho. E pelo meio de todo este percurso, uma infinidade de experiências e sensações irão perdurar no nosso ser. Afinal, elas são as peças essenciais que definem a nossa estrutura individual.

"Artérias cruzadas" é o sítio onde se encontram ideias, ideais e pensamentos. Neste espaço, frustrações, desejos e fantasias convivem com reflexões, opiniões e convicções, com revoltas e tristezas. Aqui sonha-se e idealizam-se realidades paralelas. Aqui tomam a forma de palavras os extensos monólogos produzidos por uma mente e que acabam por nunca se tornar em diálogos.
Desta forma se dá mais um pequeno passo de uma caminhada que há muito anseia por continuar a ser percorrida. Becos, estradas, avenidas e artérias, que se cruzam e entrelaçam tão depressa como se separam até perder tudo o resto de vista, esperam que finalmente o desejado pé os pise e que dê também um sentido à sua existência.

Um mote, acima de tudo:
Mais reflexão, menos distracção